
A Doença Renal Crônica (DRC) muitas vezes é silenciosa, o que leva a diagnósticos tardios. E os sintomas, quando presentes, muitas vezes provêm de outros problemas crônicos. Por isso, profissionais de diversas áreas de saúde precisam estar atentos aos sinais e enxergar o paciente de forma ampla, para trazer um diagnóstico precoce. Foi com esse objetivo que o Grupo Nefroclínicas e o Eco Medical Center realizaram o 8º Simpósio Nefro Cardio Metabólico em Curitiba, em novembro.
O evento reuniu cardiologistas, endocrinologistas, nefrologistas, clínicos gerais, geriatras, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, todos focados em trocar experiências e discutir casos. “Não foram apenas palestras. Tivemos mesas redondas com a participação do público e dos palestrantes, o que enriqueceu as discussões e elevou o conhecimento de todos”, comemorou José Neto, sócio e diretor de ensino da Nefroclínicas.
O nefrologista Thyago Proença de Moraes, sócio da Nefroclínicas Curitiba, mostrou que a DRC é muito comum no consultório dos endócrinos e cardiologistas, já que ela é decorrente de doenças como diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca. Portanto, são essas especialidades que geralmente fazem o primeiro diagnóstico da DRC. Ele ainda contou que há até 10 anos, apenas uma classe de medicamentos, os bloqueadores do sistema renina angiotensina aldosterona, estavam disponíveis para o tratamento. Mas três novas classes de medicamentos surgiram e ampliaram as opções terapêuticas.
O Boletim Epidemiológico de Doença Renal Crônica do Ministério da Saúde, divulgado em setembro, indica a prevalência de DRC em 6,7% dos brasileiros, triplicando em indivíduos com 60 anos ou mais de idade. Em 2021, a DRC matou 1,5 milhão de pessoas no mundo, ocupando a 28ª maior causa de mortes.
Os músculos e a DRC
Outra mesa redonda, moderada pelo nefrologista Fernando Lucas, discutiu nutrição, sono e movimento. A fisioterapeuta cardiopulmonar e do sono Luana Caroline Kmita destacou a importância da musculatura para pacientes com DRC. Segundo ela, é essencial alinhar nutrição, sono e atividade física, considerando que o descanso adequado e a prática de exercícios físicos contribuem diretamente para a qualidade de vida e o tratamento de doenças.
“Sem músculo, não há vida. A perda de força e de massa muscular, comum em pacientes com DRC, impacta na funcionalidade, na participação social e na qualidade de vida”, afirmou. Luana também enfatizou o papel da fisioterapia em promover exercícios de resistência, aeróbicos e respiratórios para recuperar a funcionalidade e minimizar a sarcopenia (redução da massa muscular e da força).
Já o cardiologista e arritmologista André Luís David, pós-graduando em Sono pelo Hospital Albert Einstein, destacou a relação crítica entre distúrbios do sono e condições como hipertensão, doenças cardiovasculares e renais. Ele enfatizou que a apneia do sono, comum a muitas pessoas, “pode levar ao aumento da pressão arterial e doenças cardiovasculares, impactando, por consequência, os rins”.
André ressaltou a importância de métodos como a polissonografia para diagnóstico e o CPAP (aparelho compressor de ar silencioso usado no tratamento da apneia obstrutiva) no tratamento. Além disso, ele alertou para outros distúrbios como pernas inquietas, especialmente comuns em pacientes renais, e reforçou que uma boa avaliação clínica é essencial para direcionar os exames necessários e garantir o manejo adequado.
Quando encaminhar pacientes a outras especialidades?
Outro debate do Simpósio discutiu: Quando encaminhar para um colega especialista? A endocrinologista Luciana Pechmann, destacou a importância de ver o paciente como um todo. “O paciente não é só um rim, só um coração, só o pâncreas, ele é um todo, e precisamos tratá-lo com a ajuda de especialistas quando necessário.”
Luciana também ressaltou a atenção que deve ser dada à obesidade, que ela descreveu como “a base de muitas dessas doenças” e enfatizou que o tratamento não deve ser responsabilidade apenas do endocrinologista, mas de todos os clínicos envolvidos no cuidado do paciente.
Na mesa-redonda “Verdades e Mentiras: Reposição Hormonal e Suplementação,” José Neto discutiu um caso de insuficiência cardíaca em que o paciente apresentou níveis elevados de potássio no sangue, condição conhecida como hipercalemia. Ele abordou a utilização de uma nova ferramenta terapêutica, o ciclocilicato de zircônio, um quelante de potássio altamente eficaz que pode ser utilizado tanto em situações agudas quanto crônicas. “Esse medicamento permite controlar os níveis elevados de potássio, que, se não tratados, podem levar a complicações graves, incluindo risco de morte,” explicou.
A endocrinologista Thamara Batistella, especialista em Medicina do Estilo de Vida, também contribuiu para a discussão falando das indicações e contraindicações da reposição hormonal, destacando que no caso dos homens ela só é indicada diante de sintomas como fadiga, baixa libido e disfunção erétil, confirmados por duas dosagens hormonais diferentes. "A reposição deve ser realizada apenas após a exclusão de causas patológicas, como tumores, e uma análise cuidadosa dos riscos cardiovasculares," explicou. Já para mulheres, as principais indicações incluem sintomas relacionados à menopausa, como fogachos, alterações geniturinárias, e osteopenia em pacientes abaixo dos 60 anos.
Além disso, a médica enfatizou a importância de focar no básico antes de recorrer a hormônios, especialmente para pacientes fragilizados, como os oncológicos. "Muitas vezes, ajustes simples como reposição de proteínas, creatina e vitaminas, aliados à atividade física, são mais eficazes para melhorar a massa muscular do que o uso direto de hormônios," destacou. Ela também discutiu estratégias de suplementação de cálcio para mulheres na pós-menopausa e pacientes com doenças que afetam a absorção intestinal, reforçando a abordagem cuidadosa e integrada no manejo de cada caso.
“O Simpósio mostrou que o paciente deve ser visto de forma horizontal, não de forma vertical, fragmentada. O conteúdo discutido foi muito rico e relevante para todos os profisisonais”, concluiu Patrick Gil, COO do Eco Medical Center.
“Acreditamos que a educação muda a trajetória da medicina e o desfecho dos pacientes. Desejamos que eventos como esse agreguem e estimulem profissionais a trocar experiências para evoluir cada vez mais”, completou Juliana El Ghoz Leme, nefrologista e coordenadora da Nefroclínicas Curitiba.
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