Saúde e Informação • 15 de maio de 2026
Queda brusca nas temperaturas acende alerta para doenças respiratórias em Curitiba
Em Curitiba, conviver com sintomas como coriza, nariz entupido, espirros frequentes, dor de cabeça e pressão no rosto faz parte da rotina de grande parte da população. A relação dos curitibanos com rinite, sinusite e outras doenças respiratórias já virou até folclore entre moradores da capital. Apesar das brincadeiras, fatores como o clima frio, a amplitude térmica e o ar mais seco ajudam a explicar o aumento recorrente de síndromes respiratórias na cidade.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, autoridades de saúde reforçam o alerta para os cuidados preventivos. Segundo a pneumologista Adriana Purcote, coordenadora da Eco Medicina Respiratória, no Eco Medical Center, as características climáticas da capital paranaense contribuem diretamente para o agravamento dos sintomas.
“Curitiba tem a particularidade de ter uma amplitude térmica muito acentuada. De manhã está frio, à tarde calor e, à noite, frio novamente. Essa variação brusca influencia diretamente nos casos de síndromes respiratórias”, destaca.
Além das condições climáticas, cada organismo reage de forma diferente. Segundo a especialista, há pacientes que convivem bem com ambientes climatizados, enquanto outros apresentam crises intensas mesmo diante de pequenas mudanças de temperatura. Por isso, o acompanhamento individualizado é fundamental. “É importante conhecer os gatilhos de cada paciente para definir o tratamento mais adequado”, explica Adriana.
A pneumologista ressalta ainda que doenças crônicas possuem comportamento sazonal. Pessoas com alergia ao pólen, por exemplo, costumam ter piora na primavera, enquanto outras sofrem mais durante o frio seco. “O paciente com diagnóstico sabe como se prevenir. Ele não faz o tratamento sozinho, tem orientação médica sobre o que fazer antes mesmo dos sintomas se manifestarem”, afirma.
Atenção redobrada com a asma
Entre os quadros de doenças respiratórias sazonais mais recorrentes atendidos na Eco Medicina Respiratória estão rinite, sinusite e asma. Segundo Adriana, ainda existe a percepção equivocada de que a asma se resume a crises graves, quando sintomas leves e persistentes também podem indicar a doença. “Muitas vezes é apenas uma tosse recorrente ou uma leve falta de ar. Nem toda asma tem sintomas graves, mas toda asma precisa de tratamento, pois pode evoluir para quadros críticos”, alerta.
A especialista também chama atenção para os riscos da automedicação, especialmente o uso recorrente de descongestionantes nasais. “Alguns não são indicados para uso contínuo e podem causar efeitos cardiovasculares, dependência ou até agravar o quadro original”, reforça.
Prevenção
As baixas temperaturas e a maior permanência em ambientes fechados contribuem para a circulação de vírus. Entre as medidas recomendadas estão a vacinação, higienização frequente das mãos, ventilação de ambientes e a etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz com o antebraço ao tossir).
“O outono e o inverno funcionam como um gatilho epidemiológico. O aumento de casos é esperado, mas o que preocupa é a evolução para quadros graves em grupos vulneráveis”, finaliza a pneumologista.