Notícias • 13 de agosto de 2026
Auto consulta com IA pode atrasar o atendimento médico, alerta especialista
O uso da Inteligência Artificial passou a fazer parte do cotidiano da sociedade contemporânea. Segundo o relatório “AI Diffusion Report”, do Microsoft AI Economy Institute, mais de 1,2 bilhão de pessoas já utilizaram ferramentas de Inteligência Artificial no mundo em menos de três anos. O dado torna a IA a tecnologia de adoção mais rápida da história humana.
No entanto, o uso de ferramentas de Inteligência Artificial para buscar autodiagnósticos na internet pode atrasar o atendimento médico e aumentar a ansiedade dos pacientes.
De acordo com o médico de família e comunidade Felipe Valente, do Eco Medical Center, as IAs generativas ainda sofrem com as chamadas “alucinações”, fenômeno em que o sistema cria informações falsas que parecem verdadeiras. Com isso, podem atribuir importância desproporcional a doenças graves, como o câncer, mesmo quando a probabilidade real é baixa.
Para o especialista, um dos principais riscos é o paciente confiar em uma resposta gerada pela máquina e deixar de procurar avaliação profissional. “Uma dor intensa que altere o dia a dia precisa ser investigada, independentemente do que a IA diga. Da mesma forma, uma dor leve que persiste por muito tempo também merece atenção”, afirma Valente.
O médico explica que as plataformas de IA foram desenvolvidas para simular conversas, e não para fornecer diagnósticos médicos precisos. Por isso, elas podem apresentar informações incorretas. “Se a pessoa pergunta se o problema é muito grave, a resposta tende a seguir essa linha. Se pergunta se não há motivo para preocupação, a IA também pode concordar. As palavras utilizadas influenciam diretamente o tipo de resposta recebida”, explica.
Para ilustrar o cenário, o médico compara o uso da IA a um diagnóstico automotivo: “Ela pode sugerir que o motor fundiu ou que houve sabotagem, hipóteses que são reais, mas antes seria preciso verificar se não falta combustível ou se a bateria está descarregada. Na medicina, algo semelhante acontece quando sintomas comuns recebem interpretações excessivamente graves pelas plataformas de IA”, diz.
Uso da IA com parcimônia
Apesar dos riscos, o Dr. Felipe Valente destaca que a tecnologia pode ser útil quando usada de forma complementar ao acompanhamento médico tradicional. Entre as aplicações mais seguras e práticas estão a organização de listas de medicamentos, registros de pressão arterial e glicemia, histórico de tratamentos e a criação de lembretes para consultas e renovação de receitas.
“A IA veio para ficar e certamente se tornará cada vez melhor. Mas deve ser utilizada com prudência. Ela pode ajudar a organizar informações e apoiar o autocuidado, mas nunca irá substituir a avaliação médica individualizada”, pondera o especialista do Eco Medical Center.
